Beijar a Mão

Hoje:

Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Beijar a mão. Modo de saudação respeitosa, de emprego no cumprimento a uma autoridade religiosa e na saudação a uma senhora. Nesses dois aspectos que interessam a Boas Maneiras e Etiqueta, o uso ainda permanece, porém é hoje menos comum do que foi no passado.

Prelados. A tradição prescreve que os leigos e o clérigo de nível inferior, quando apresentados a um bispo, devem beijar sua mão, na verdade, o seu anel, símbolo da sua autoridade eclesiástica. Em algumas situações do cerimonial católico, e principalmente quando se trata do papa, a pessoa flexiona um dos joelhos (genuflexão) para esse beijo. Quando beija o anel estando de pé, precisa curvar-se profundamente, porque o prelado levanta o braço do anel apenas levemente. Devido a que não se beija uma mão enluvada, quando o dignitário tem que usá-las, ele coloca o anel no dedo por cima da luva. Evita-se o toque dos lábios na pedra ao beijar o anel. Quando o prelado veste roupas leigas ou um traje clerical simples, provavelmente estará também sem o seu anel, e será cumprimentado apenas com um aperto de mão. Se o leigo desejar mostrar seu respeito mesmo nessas circunstâncias, e beijar-lhe a mão, deve refrear esse impulso se o local é público e movimentado, ou se está no interior de uma loja, e limitar essa prática ao recinto dos estabelecimentos religiosos.

Senhoras. O homem cumprimenta dessa forma a mulher quando se trata de uma senhora, não uma jovem solteira. O beijo na mão é uma forma de mostrar respeito e admiração porém com o distanciamento que esse mesmo respeito requer. É um gesto rápido, iniciado pela senhora que estende a mão ao homem, pois a ela cabe a iniciativa do cumprimento. Seu emprego perde a razão de ser depois que se estabelece um conhecimento mais íntimo entre o homem e a mulher, quando é substituído pelo aperto de mão nas ocasiões formais, ou se tornam admissíveis os beijinhos na face e o abraço nos encontros informais. Obviamente, o homem não beija a mão de parentas próximas.

Evita-se o toque dos lábios no beijar; sem afastá-los mais que alguns milímetros: imita-se um beijo à altura da articulação dos dedos com o dorso da mão, não do dorso com o punho flexionado. Se a mulher se acha em uma recepção formal e usa luvas, ela as retira (pelo menos a da mão direita) para a eventualidade de ser apresentada a um homem, pois este não deve beijar uma mão enluvada.

Se a pessoa que beija a mão tem especial apreço e grande afeto pela outra que está cumprimentando, pode usar no cumprimento as duas mãos. Sobre o dorso da mão que está beijando, e que sustenta com a sua mão direita, coloca transversalmente a palma da sua mão esquerda, um pouco além do local do beijo, próxima ao punho.

Ao ter que cumprimentar um grupo de senhoras (ressalvado que as condições sejam as requeridas para esse gesto) o homem não é obrigado a beijar a mão de todas. Pode escolher fazê-lo às senhoras mais velhas ou às que conhece melhor, ou à que lhe está mais próxima, e apenas aperta a mão das demais do grupo.

Essa forma de cumprimento não é praticada em local público aberto ou descoberto, como estação rodoviária, na praia e em locais esportivos ou acampamentos, em praça pública, ou mesmo em uma biblioteca pública. O anfitrião não beija a mão de uma visitante ou convidada que está em traje esporte. É uma forma de cumprimento próprio apenas para locais cobertos não públicos, ou excepcionalmente em recinto aberto porém íntimo, como o terraço da casa, um jardim fechado ou um clube muito exclusivo (por ocasião de um chá).

O ritual do beijo na mão requer que a mulher eleve a sua (ela indica assim o modo como deseja ser cumprimentada), sem afastá-la muito de si, e sem estender o braço (como mostra a figura), mas de modo que o homem não precise mais que curvar a cabeça para beijá-la – salvo se ele for muito mais alto que ela, que alça a mão no máximo até sua própria altura. Como nos dias atuais esse cumprimento não é muito esperado, a mulher em geral não oferece a mão a beijar (a menos que frequente ambientes ou receba habitualmente em situações nas quais essa forma de cumprimento é a regra), e o homem é que, quando ela lhe estende a mão, pode levantá-la à altura de seus lábios para o beijo. Porém ele deve desistir se sentir resistência da parte da senhora, e então apenas apertar-lhe a mão.

Como toda forma de cumprimento, o beijo na mão é acompanhado de algumas palavras exprimindo carinho e respeito, pronunciadas depois de efetuado o gesto, os parceiros olhando-se nos olhos. Desacompanhado de uma expressão que seja prazerosa para a senhora que se cumprimenta transforma-se num gesto insípido, e melhor seria que fosse apenas um aperto de mão. Deve-se dizer alguma coisa, que pode ser desde um simples “Muito honrado em conhecê-la, senhora”, até algum galanteio à francesa que, ainda que esteja fora de moda, costuma ser sempre respeitoso.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 08-04-2006, revisada em 14-05-2007.

Direitos reservados.
Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Beijar a mão. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 2006.