Higiene: O Jardim

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Página escrita por Rubem Queiroz Cobra
Site original: www.cobra.pages.nom.br

Quase toda casa brasileira tem à frente um pequeno jardim, com roseiras, margaridas, pés de manacá, hortênsias e azaléias, e outras flores que crescem bem em todos os climas do país. No quintal são comuns a mangueira, o abacateiro, a laranjeira, o pé de mamão, a maçã, e outras frutas próprias de cada região.

Mas nem tudo são flores.

Preocupam as autoridades jardins, quintais e terrenos cujo estado de abandono compromete o bem estar público.

Há muitos lotes abandonados, cobertos por capinzal, lixo e entulho. Eles enfeiam a comunidade, desvalorizam uma rua, servem de esconderijo a marginais, aninham ratos, escorpiões e ainda servem de latrina pública.

A maioria dos quintais são depósitos a céu aberto, de quinquilharias que vão de maquinas de lavar enferrujadas e latas velhas, a pneus transformados em criadouros de mosquitos.

Na frente das casas há muitos jardins que são um emaranhado de plantas que nunca florescem, capim, tocas de ratos, e espinheiros que ferem os passantes na calçada.

No entanto, pode ser dignificante ter um jardim, pequeno porém limpo e bem cultivado, um quintal que não cause vergonha, ou ser um cidadão consciente da necessidade da limpeza pública o suficiente para manter sua propriedade, ainda que sem uso, cercada e periodicamente capinada, ou não jogar lixo e entulho na propriedade alheia.

Nesta página tomo por exemplo um pequeno jardim, frente a uma residência comum – na maioria dos casos um pequeno chalé com sua fachada habitual de uma janela, e um alpendre ladeado por uma garagem.

Se a área fronteira ao chalé e também o quintal forem cimentados ou tiverem piso de pedras, provavelmente ficarão muito quentes, e o calor invadirá a casa através das portas e janelas. É de toda conveniência, portanto, que a área entre o chalé e a rua tenha um jardim, e o quintal seja um pequeno parque, para evitar uma almofada de calor bem frente à casa ou por trás dela.

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No caso de um jardim abandonado ou mal cuidado, que se deseja revitalizar deve-se começar pela aquisição de ferramentas e utensílios de limpeza. Além da vassoura e do jato de água para limpar os caminhos, há um mínimo de ferramentas para manter limpos o jardim e o quintal, e para cultivá-los:

  • Uma tesoura de podar (com bico curvo e mola) para aparar folhas estragadas ou mortas, galhos desnecessários ou secos.
  • Um rastelo. Este é um leque de fitas de aço fixadas na ponta de um cabo longo, e serve para arrastar folhas caídas, capim ou grama cortada. Os montinhos de detritos feitos com o rastelo são postos em sacos de lixo para o caminhão do lixo pegar.

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Quando se trata de formar um jardim, assim como a um quintal, deve-se evitar erros que poderão mais tarde levar seu criador a se aborrecer e abandonar o seu projeto.

Primeiro passo é delimitar a área disponível, depois de deixar livre a passagem dos carros para a garagem. É indispensável saber por onde passam as encanações de água e esgoto, e também de eletricidade, quando a fiação não é aérea mas soterrada

Um jardim precisa ter caminhos que permitam alcançar as plantas para aguá-las, fertilizá-las, limpa-las de folhas e frutos secos, e lhes prestar outros cuidados. Deve haver um caminho central, não importa se reto ou sinuoso, e dele partirão caminhos secundários.

Não se fazem mais contornos de alvenaria delimitando as áreas gramadas ou plantadas. Essas muretas dificultam a limpeza, criam poças d’água nas passagens, impedem que a terra e o adubo que caiam no caminho possam ser varridos para o canteiro. Os canteiros em que se divide o jardim são hoje demarcados pelos caminhos pavimentados e estarão no mesmo nível deles.

Depois do terreno limpo, após a construção dos caminhos, se faz o plantio. As ferramentas para isto vão das mais simples, como uma pequena pá com cabo de madeira, que não passa de uns 30 cm, e uma enxadinha, até as furadeiras de cabo articulado e os trados. Estes últimos são utilizados para plantios em maior quantidade de mudas e em jardins maiores, ou quando o solo é ruim e se deseja fazer uma cova que será enchida com terra adubada que receberá as sementes ou as mudas de plantas.

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É importante, tanto para um jardim novo como para a manutenção de um antigo, que seja observada sua posição em relação ao sol da tarde. Se o jardim recebe apenas o sol da tarde, é necessário escolher plantas que suportem maior exposição aos raios solares e ao calor.

Outro cuidado que se deve ter na escolha das plantas, é quanto às raízes. Apesar de bonitas, algumas têm raízes longas e poderosas, que podem romper calçadas e entortar canos no seu caminho. Outras têm raízes com abundância de fios, que penetram em qualquer espaço em grande numero, gerando uma cabeleira capaz de entupir uma caixa de esgoto.

Muito importantes são as torneiras e mangueiras para aguar. Regar o jardim com um regador é um trabalho que pode levar ao aborrecimento e ao desinteresse de cuidar das plantas. Igualmente tedioso e cansativo é precisar utilizar uma longa mangueira que dá volta na casa para ser acoplada na lavanderia. Por isso é necessário que (e o mesmo vale para o quintal) no jardim haja uma torneira que facilite a irrigação. Isto não é difícil, quando se sabe por onde passa o cano de alimentação de água da casa.

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Embora meu objetivo principal seja a higiene e a limpeza no ambiente que cerca a habitação, me interessa também a beleza que pode estimular o trabalho da boa conservação do jardim e do quintal. Esse tipo de estimulação é dado pela Estética. Uma das regras para um alto grau estético, ainda que se trate de um jardim pequeno, é a escolha de grupos de plantas que floresçam em diferentes épocas do ano. Plantas que florescem sucessivamente, de acordo com as estações do ano, permitem que o jardim esteja sempre florido.

Considera-se então o grupo das plantas que florescerão na mesma época, a fim de que formem um grupo de cores harmoniosas, e que uma delas que tiver um perfume característico. tenha primazia para perfumar o jardim.

Discutir jardinagem com amigos é tabu entre homens, mas pode ser um assunto sedutor para as mulheres, como troca de conhecimentos entre amigas, à hora do chá.

Rubem Queiroz Cobra

Página lançada em 00-08-2011.

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Para citar este texto: Cobra, Rubem Q. – Higiene ambiental: o jardim. Site www.cobra.pages.nom.br, INTERNET, Brasília, 2011.